segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vantagens e desafios da robótica médica

    A medicina, como muitas outras áreas, vem passando por evoluções significativas. O uso de meta-dados para ajudar na prevenção e tratamento é de sobremodo crescente e criativo em vários ramos da medicina. Exemplos como; eletrodos inseridos na camada superior do cérebro que mapeiam atividades do sistema nervoso central de um paciente com Alzheimer, ou mesmo as conhecidas próteses de precisão para suprimir problemas em diversas partes do corpo.
    Pesquisadores norte-americanos estão em fase de avaliações de uma prótese cem por cento controlada pelo cérebro através de eletrodos, é notável que a inserção da tecnologia na biomedicina traz ganhos evidentes, entretanto a necessidade de participação do profissional medico é fundamental mediante quaisquer avanços tecnológicos. Outro ponto interessante a ser discutido é o custo ao estado, a projeção mecatrônica desses dispositivos de suporte medico, por se tratarem de inovações, no geral são de um valor elevado. Mediante a isso, o auxílio de robôs em técnicas cirúrgicas é garantia de sucesso? 
    Segundo o autor Sidney Perkowitz em seu livro "Digital People", existe uma separação entre as categorias de dispositivos. Baseado na separação feita por ele, um automatismo é um dispositivo que se move, tem partes eletrônicas e mecânicas, e faz isso por condições fixadas por humanos. Deixando claro que o dispositivo não possui inteligência artificial. Em contramão, um robô é um dispositivo autômato ou semi-autômato programado para funcionar de modo semelhante a uma entidade viva, incluindo partes mecânicas, eletrônicas e programas. Aplicando essa definição na medicina robótica, podemos verificar que o que comumente chamamos de robôs, na verdade são apenas automatismos ou dispositivos mecatrônicos que estão disponíveis para o auxílio dos médicos, poderia ser perigosa para o paciente a ideia de ter um robô propriamente dito realizando os trabalhos cirúrgicos, pois a área da inteligência artificial não está tão desenvolvida a ponto de fazer o robô pensar como um profissional da medicina formado e com experiência.
    Outro aspecto importante a ser analisado é a viabilização de recursos obtenção desses dispositivos, no Brasil há filas incessantes de espera para obtenção de próteses com apoio mecatrônico. A tecnologia importada custa pesados valores aos cofres públicos, necessitando de uma viabilização para essa aquisição.
    A robótica médica tem se consolidado com de maneira satisfatória no Brasil. Isso tem ajudado em cirurgias que tinham como consequências um elevado tempo pós-operatório e várias complicações permanentes. Um exemplo disso são as cirurgias de correção de hérnias ventrais da linha média, que comprometiam uma grande área de pele do paciente para a realização da cirurgia e poderiam danificar a coluna vertebral. Visto essa situação, o Hospital Sírio-Libanês realizou durante os anos de 2009 e 2012 essa cirurgia assistida pelo sistema robótico da Vinci S. O mesmo se encarregava de funções que para o cirurgião precisavam de alta precisão, como delimitação da pele a ser sofrer a incisão, a sutura a ser feita no pós-operatório, etc. Isso resultou em períodos pós-operatórios muito mais curtos, tempo de cirurgia reduzido e nenhuma morte dos pacientes que participaram.
    Outro exemplo deste notável avanço, no mesmo hospital e com o mesmo sistema robótico, foi com a cirurgia de redução de gordura corporal, que é geralmente aplicada a pessoas com alto grau de obesidade. Cirurgias como bariátrica e lipoaspiração tiveram o tempo de duração drasticamente reduzido, com redução considerável dos danos causados aos órgãos e tecidos do paciente. Apenas uma complicação grave ocorreu, uma injúria no intestino de um dos pacientes, que foi rapidamente localizada e tratada.
    Este ramo da medicina já possui uma excelente taxa de aceitação e sucesso no Brasil e no mundo, visto que o mesmo proporciona vários benefícios para o paciente, como melhor precisão em procedimentos delicados e arriscados, acesso a banco de dados de auxílio, etc. Um fato bastante importante a ser destacado é a imparcialidade do sistema, que não é sujeito a emoções extremas, que poderiam comprometer o estado do médico responsável e, consequentemente, a vida do paciente. Um sistema robótico tem como premissa realizar o melhor caso e de maneira eficaz e precisa.
    Uma cirurgia robô-assistida tem se mostrado uma das melhores maneiras de realizar cirurgias de alto risco, que requerem bastante habilidade e precisão do médico cirurgião, coisa que é bastante arriscada de ser comprometida a uma pessoa. A mesma pode ser passível de mais estudos, para que possa ser aplicada em mais áreas que necessitem de mais segurança para o paciente. Encarregava de funções que para o cirurgião precisavam de alta precisão, como delimitação da pele a ser sofrer a incisão, a sutura a ser feita no pós-operatório, etc.
    Mediante aos fatos apresentados torna-se necessário algumas intervenções conceituais para o aprimoramento da medicina robótica, pois mesmo que em quantidade reduzida, já houve casos que ocorreram complicações pós-cirúrgicas depois de aplicado o método. Assim como o mais simples dos equipamentos precisam de manutenção, essas máquinas apesar de serem muito bem calculadas precisam de revisão. Do mesmo modo devido ao alto valor para manutenção desses equipamentos, a viabilização por meio de tecnologia nacional, oriunda das universidades brasileiras e iniciativa privada trarão ao país novos patamares em pesquisa e desenvolvimento, para que a médio ou longo prazo se tenha uma menor prioridade em importação biotecnológica. 

Autores:

Bruno Libório
Dimerson Lucas
Felipe Santos
Ronaldo Dorgam



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